quarta-feira, 27 de maio de 2009

Invasão da reitoria

Na Segunda-feira eu estava na universidade e ouvia uns helicópteros a voar baixinho e parados com focos de luz, alguma coisa estava a acontecer...
Soube do que se tratava quando fui para a aula e um estudante entrou mais tarde contando o que tinha acontecido. Os alunos invadiram a reitoria da universidade! Um aluno cortou a perna, foi para o hospital, depois queriam bater numa funcionária, estava lá a Polícia de Choque porque os ânimos estavam exaltados, vários alunos ficaram com processos em cima enfim, um caos...
Se puserem na net "invasão reitoria USP" podem ver mais detalhes.

Seminário fantasma

Estava organizado um seminário para o dia 26 de Maio com estudantes estrangeiros na USP para que falassem da sua experiência num país diferente. Os estudantes eram: eu (Portugal), Maria (Portugal), Òscar (Espanha) e Li (Taiwan). Ao longo do tempo sempre tentei arranjar um dia para que nos juntassemos para falar como iriamos fazer o seminário e para nos conhecermos. Acabamos por nos conhecer sem reunirmos para falar do seminário, e nem foi preciso... Ontem quando cheguei lá estava o Òscar sozinho... A Maria tinha-me dito que não podia ir. Ninguém apareceu!!! A sala estava vazia então eu e o Óscar começamos a desenhar no quadro um esquema do sistema educativo do nosso país. Ainda nos divertimos um bocado, pedimos palmas a um público invisível e tal mas realmente não apareceu viva alma!! Também, com as greves de funcionários e os professores em paralisações eu estava mesmo a ver que seria difícil... Quando vinhamos embora apareceu a Li. Tinha vindo de propósito de longe e não houve seminário nenhum!
No mês que vem vai haver outro, com pessoas de outros países.

Ônibus lotado II...

Fui às compras no Carrefour.
Fui para a paragem com 3 sacas de compras. O Ônibus estava lotado (não como o da foto lol) mas foi difícil passar pela catraca com os sacos cheios... Uma senhora aflita por mim acenou com o braço e ofereceu-se para me segurar os sacos no colo e eu aceitei. Também queria segurar a minha mala onde levo os cadernos mas eu disse que não precisava e ela insistia "está pesada" e eu disse "não está, obrigada, só tem um caderno". LOL lá fui mais descansada mas quando cheguei em casa, de certa forma arrependi-me de ter dado os sacos à senhora... Não, ela não me roubou nada lol o meu pão de forma ficou TODO AMASSADO!!! :( Mas deu para comer...
Acho que não disse no anterior que quando o ônibus está cheio há uma espécie de "negociação", as pessoas falam umas com as outras a perguntar se vão sair no próximo ponto e assim uns desviam-se para deixar os outros passarem o mais perto possível para perto da porta. Parece um jogo de encaixe eheheheh.
O simples acto de andar de autocarro é tão diferente daí...
Aprendi umas coisas novas sobre como trabalhar a arte e o seu conceito com as crianças mas agora não tenho tempo de vos deixar... Talvez amanhã. ;)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ônibus lotado...


Acho que esta imagem representa bem o que é andar em ônibus lotado no Brasil... eheheheh!!
Nem sempre os ônibus estão lotados mas a mior parte das vezes, e dependendo do horário sim! Se vejo que está muito cheio dá para esperar o próximo porque aqui há muitos ônibus a circular.
Reparei que aqui as coisas são bem diferentes. Se vais com algum saco, alguma bolsa grande, alguma coisa que à primeira vista é difícil de transportar, é normal que as pessoas que estão sentadas se ofereçam para te segurar nas coisas!!
Quando andas de ônibus convém conheceres o lugar onde vais sair, porque depois que passas pelo cobrador, todos os ônibus têm duas portas atrás, uma de um lado e outra do outro, porque depende da rua onde ele entra, ou só abre uma ou outra! Por isso tens de saber de que lado vais sair e encaminhar-te logo para a porta certa se não corres o risco de não conseguir sair na paragem que queres, como me aconteceu LOL mas comigo foi por estar tão cheio que não consegui sair onde queria, só saí 2 paragens à frente!! LOL
Admiro as moças que se vê entre Sexta e Sábado que se arranjam no autocarro. Sacam da palete de sombras, pintam-se, penteiam-se (às vezes com penteados de prender e tudo), mas o que mais admiro é quando elas conseguem pôr o rímel!!! Sim, porque aqui todas as ruas são uma desgraça e o ônibus anda sempre aos saltos e solavancos!! O que é certo é que saem sempre impecáveis para o encontro, e acho que só não trocam de roupa no ônibus porque seria imoral... eheheheh!
Ao contrário do que eu pensava, aqui as pessoas lêem muito! Há sempre alguém a ler no ônibus!!
Quando se sai do ônibus tem que se ter muito cuidado ao atravessar a rua. A passadeira chama-se "faixa". Às vezes eu me pergunto: "para que serve uma faixa??" Acho que é só para enfeitar a estrada!
Tem que se ter muito cuidado ao atravessar, ainda têm a lata de apitar para que corras se tentas atravessar na "faixa"!!! Eu vi isso quando o meu sobrinho brasileiro chegou a Portugal, ao atravessarmos a rua ele sempre ficava para trás com medo e ainda se admirava "ele deixou eu passar!!" LOOL
Nunca me esqueço o dia em que um rapaz saiu do ônibus da universidade, atravessou à frente sem olhar... Só ouço o motorista a gritar "olha o carro..." PUM... Dizem que deu uma cambalhota no ar, ainda bem que não vi... Já chegou o susto de ter ouvido a batida... O moço ficou estendido no chão desmaiado e a deitar sangue. A mulher que o atropelou ficou do outro lado da rua a chorar imenso e depois que o moço acordou e o motorista seguiu a senhora só perguntava desesperada se ele tinha morrido!! Felizmente não, mas ela ficou lá aos prantos...
Enfim, há que ter muito cuidado mesmo!! Só São Paulo tem o dobro de pessoas que Portugal e o trânsito é caótico!


terça-feira, 12 de maio de 2009

A Arte de Contar Histórias


No dia 8 assisti a uma palestra sobre "A Arte de Contar Histórias".
Gostei muito!! Foi feita pela professora Fabiana Rubira, uma contadora de "estórias" como ela diz.
Convosco partilho o que achei importante.
A professora disse que contar e ouvir histórias é um diálogo de coração para coração. Ela considera as "estórias" como obra de arte!
Quando alguém ouve uma história, aprende aquilo que está preparado para aprender. A mesmoa história contada para várias crianças vai fazer efeitos diferentes em cada uma, pois cada uma cria o mundo à sua maneira. Ao ouvir uma história acontece uma história dentro de cada um de nós.
Achei interessante ela dizer que as crianças ensinam-nos como devemos ensiná-las e as histórias ensinam-nos como devemos contá-las!
Quando se volta a ouvir uma história que já se ouviu, nunca é a mesma história, ela é sempre nova dentro de nós (talvez por isso as crianças gostem que se repita a mesma história, penso eu...). Mergulhar numa história é mergulhar dentro de si mesmo, pois as crianças criam significados para o seu mundo com as histórias. Quando a criança ouve uma história realiza uma experiência organizadora e (re)estructuradora do ser. Às vezes as histórias podem dar-nos chaves para resolver um problema!
A professora usou esta mesma imagem que coloquei aqui. Ela disse que ela representa aquilo que ela pensa ser uma forma perfeita de contar uma história, ou seja, essa é a roda ideal e não a roda certinha! Cada criança tem o seu tempo, o seu interesse e isso deve ser respeitado! Na imagem podemos ver pessoas mais longe mas que também estão atentas à história. Uns mais à frente, outros mais atrás... Ela narrou umas experiências pessoais quando quis contar histórias a crianças. Uma vez ela organizou um baú cheio de coisas para o auxílio do contar a história e foi a uma escola. Quando lá chegou, quase sem dar conta o baú foi raptado pelas crianças!! Abriram e tiraram tudo lá de dentro... Ela começou a ficar desesperada a pensar "e agora?!" e a professora das crianças sem conseguir manter a ordem... até que teve uma ideia! Deixou-se estar uns minutos até que uma criança vai ter com ela com um objecto na mão:
"o que é isto?"
"é um pau de chuva"
"e para que serve?"
"serve para eu contar uma história"
"você vai contar uma história?"
"vou, mas eu preciso de todos os objectos e só consigo contar quando todos estiverem dentro do baú..."
Derrepente uma correria e dali a nada estavam os objectos arrumados, a roda feita e aguardavam a história!
Outra situação foi numa festinha de crianças. Ela foi com o baú mas as crianças estavam muito agitadas e a tia dela disse "deixa, as crianças estão agitadas, acho que você não vai conseguir contar uma história..." mas ela pediu para tentar uma coisa... Sentou-se no chão no meio do salão com o baú e aguardou... Uma criança aproximou-se e perguntou
"o que você está fazendo aí?"
"estou esperando..."
"esperando o quê?"
"para contar uma história"
"Ah, você vai contar uma história?? Gente vem aqui, ela vai contar uma história!!"
E logo uma roda foi formada, mas uma roda como a da imagem, uns aqui, outros lá. Havia uma criança sentada num "pula-pula" mais atrás mas atento! Tanto é que no fim da história ela fazia perguntas e essa criança respondia dando saltinhos no pula-pula eheheh...
Neste sentido o tempo é importante. Tempo para contar a história descontraidamente, tempo para aguardar que a história queira ser contada.
Também falou sobre o respeito pelas crianças e não fazer do contar histórias algo imposto e rígido. A professora contou que uma vez foi a uma escola e quando disse que iria contar uma história uma menina não quis ouvir alegando que não queria desenhar porque sempre que a professora dela contava uma história pedia para fazer um desenho e ela estava cansada! Quando soube que não teria de fazer desenho ficou mais aliviada e ouviu a história.
Bem, quase no final foi-nos contada uma história e só não a escrevo aqui porque é longa e vocês iriam ficar fartas... LOL
Acho que foi bastante interessante e espero ter ajudado para os vossos conhecimentos também!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma aula em São Paulo

Aqui as aulas são diferentes em tudo...
Primeiro entras com a noção de que tens uma aula de 3:40h! Há professores que fazem intervalo, outros não, e quando não o fazem os alunos fazem por si, é um entra e sai descontraído em que o professor nunca se importa, o sair da sala é normal.
As instalações não são muito confortáveis porque não estou habituada a este tipo de cadeiras, fico sempre toda torta a escrever e com as saudades de poder espalhar caderno, canetas e fotocópias na mesa... Normalmente o resto das coisas fica no colo, que remédio?!
A relação professor-aluno e vice-versa, é muito informal. Os alunos tratam o professor pelo nome e às vezes há aqueles que se despedem do professor com um beijo e um abraço! (aqui só se dá um beijo e isso já me fez ficar feita totó à espera do segundo!! eheheheh).
A tolerância de liberdade na sala é imensa... no recente encontro com os portugueses fartamo-nos de rir a lembrar as coisas (para nós) cómicas que acontecem nuna sala de aula, tipo veres alguém a levantar-se e ir ao outro lado da sala só para conversar, pessoas que atendem o telemóvel na aula, o entra e sai frequente, o levarem um tuperware, abrirem, porem em cima da mesa e comerem na boa, uma portuguesa disse que na sala dela até o pequeno almoço tomavam na sala com aqueles iogurtes de cereais, imaginem a cena, a pessoa a juntar os cereais e tal... Numa aula minha uma moça à minha frente simplesmente se descalçou, apoiou os pés nas costas da cadeira da frente e assim assistiu à aula, sem que o professor tivesse a menor reação quanto a isso! Até comentei com a minha amiga "se isto fosse em Portugal a aula já tinha parado, ou porque o professor ficaria indignado ou porque seria a risota geral!".
Hoje numa aula, durante a apresentação de um trabalho (que eles chamam de seminário) duas moças sacaram de uma enorme escova da bolsa e puseram-se a pentear os longos cabelos! Normal... Não estivese no Brasil! Acho que já me acostumei a estas coisas...
Quanto aos trabalhos admirou-me o facto de os professores aceitarem que seja individual, dupla, grupo etc, não se importam como seja, desde que seja feito! (no geral é assim).
Os professores são muito simpáticos, e os que tenho, a maioria deles conhece bem a Universidade do Minho e alguns professores. O professor Marcos disse que esteve na UM em 2006 quando ainda era nos Congregados! Se calhar cruzei-me com ele lá mas não me lembro eheheh. Ele é muito simpático, às vezes pára a aula só para me perguntar se estou a entender e não estou perdida. Uma vez diz-me ele em tom de confiança: "não se preocupe, aqui é mais descontraído em relação à avaliação, não é como na sua universidade, se quiser contrariar o que eu digo fique à vontade! Sei que na sua unversidade isso não é muito possível!". ele disse isto porque aqui há muita discussão dos temas, muita participação dos alunos, nunca acontece aquele silêncio que às vezes acontece em Portugal nas aulas e o professor quase pede por favor para responderem e tenta outra forma de abordar a coisa a ver se alguém abre a boca eheheheh... Por isso às vezes as aulas acabam por nem serem aborrecidas e de certa forma ficam animadas, nem me dou conta do tempo passar...

Da primeira experiência até hoje...

Esta é uma pequena parte da vista da universidade de São Paulo. Ela é enorme e é composta por várias faculdades: de Letras, de Biologia, de Educação Física, de Física, de Química, enfim... Até tem um ônibus gratuito no interior da universidade para podermos chegar de um lado ao outro. Centenas e centenas de alunos de todo o país e do estrangeiro.
As minhas primeiras amigas foram a Sílvia e a Karina, muito simpáticas que logo no 1º dia levaram-me para conhecer tudo, a biblioteca, como se requisitam livros, a sala dos computadores e como aceder, falaram-me de como são os professores, que tipo de trabalhos gostam e pedem, etc. Sempre preocupadas comigo, se estou bem, se não preciso de nada. Já conheci outras pessoas também. Em cada aula tens colegas diferentes e nem todos são de Pedagogia, alguns já são professores, outros vêm de Matemática ou outro curso.
Recentemente conheci uma portuguesa, a Maria que é de Esposende a estudar Ciências da Educação em Coimbra. Ela mora perto de mim, numa pensão que fica mesmo em cima de uma favela!! Mas nem por isso deixo de a visitar algumas vezes, ainda este fim de semana estive lá com ela e por vezes até às tantas da noite! Para vir embora é que dá um bocado de receio mas até agora, graças a Deus, nunca me aconteceu nada! Mas é giro passar pela favela e aos fins de semana fazem tipo uma "discoteca pública" é música nas alturas para todos se divertirem! É funk, é samba, é uma alegria! eheheh...
Nesta Sexta passada fui com a Maria conhecer outros portugueses que estão cá. Fomos ter com eles a um bar que ficava a mais ou menos meia hora de ônibus! Aqui tudo é longe... Mas valeu a pena, conhecemos muitos outros portugueses de Lisboa, Porto e até Açores! Estivemos no bar e depois fomos para um pagode com música ao vivo, muito bom!! Só chegamos a casa lá pelas 4h da manhã... Agora o grupo de portugueses está a combinar de passarmos o próximo fim de semana em Peruíbe, um lugar muito lindo com praia e cachoeiras. Acho que vou...

Erasmus


Olá!!
Se calhar já vai um bocado tarde mas resolvi criar este blog para contar um pouco do que é estar no Erasmus em país diferente (neste caso, o Brasil).
Vou contando algumas coisas à medida do possível. Acho que é bom poder partilhar convosco esta vivência diferente porque assim não enriqueço só a mim! O saber partilhado é o ganho de todos nós, quem o guarda para si não pode mais tarde esperar grandes novidades pois os outros desconhecem aquilo que vivemos e desejamos.
Beijinhos!!!